Cães
não são mobília
Aquela
boquinha que não para, cortinas, sofás, sapatos, meias,
cadeiras, etc..., todos alvos daqueles dentes que nunca querem parar.
Cão agitado, desobediente, aquele ser que não coopera!
“O hora que fui inventar”...., e eu completo – hora
que não dei importância às necessidades diárias
que um cão necessita! Pois é, ter um cão, sem saber
de suas necessidades e carências inatas, desenvolve no ser humano,
uma síndrome. Uma doença muito comum. A de culpar terceiros,
pelos seus erros.
Lógico, que um filhote, cheio de energias, explorador de seu
mundo, dá um certo trabalho, apronta como uma criança
feliz, e necessita de explosões de atividades, para seu desenvolvimento
físico e mental.
Outro dia, passeando com minha filhotona, encontrei um senhor, simpático
e sorridente ao ver-nos na rua, e este, conversou comigo, dizendo que
possuía um Labrador, mas que teve de leva-lo para sua empresa,
já que até o cavalete de água tinha destruído
em sua casa. Era um resignado em ter de afastar-se de seu pet, “mas
fazer o que!?!?!”... Eu complementei educadamente sua narrativa,
respondendo, - puxa vida mesmo dando atividades e passeando com seu
cão, ele se comportava assim? Foi uma transformação,
de agradável encontro, transformei-me no espinho da consciência,
ele ficou sem graça e pensativo.
Cães não são mobília! São
predadores ativos, acumuladores de energia, exploradores e necessitam
de companhia. São animais sociáveis, dependentes psicologicamente
de interação com sua família (matilha), sem a qual,
desenvolvem carências. E são maquininhas de pensar! Sentindo-se
percebidos quando fazem “arte”, aprendem rapidamente a fazê-las,
como modo de chamar atenção, potencializando ainda mais
as “artes indesejadas”.
Promove-se esta guerra de vaidades, até que infelizmente, o despreparo
do ser humano, se transforma em abandono, agressão e negligência.
Um cão necessita de atividade física, passeios diários,
atenção, companhia. Não existe um botão
“liga-desliga”. Erros são muito comuns por parte
dos donos humanos-desumanos, como lida e alimentação dos
mesmos. Filhotes neuróticos e adultos obesos.
É uma bomba relógio, armada para explodir.
Invariavelmente, explode nas patas dos animais.
Não é um animal “impossível”, impossível
é viver a vida castradora que lhe impõem.
Claro, mesmo com atividades e convívio, haverá deslizes
e peraltices, que francamente, muitas vezes com carinho e pulso firme,
são compreendidos pelo cão e fazem parte do aprendizado
diário do pet “aprontador”.
Amar seu cão, envolve sabedoria e compromisso. Não são
máquinas biológicas, são seres amáveis e
carentes de carinho, atenção e zêlo. Faça
sua parte, ele retribuirá!
Edgardo
E. Isensee