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Comportamento
Canino VERSUS Comportamento Humano
Compreender
e interagir com seu cão pode ser uma experiência difícil,
principalmente para o cão. Muitas situações são
impostas por nós e não entendidas por eles. Exigimos muito
e queremos ser compreendidos sempre. Muito erramos, em complexas ou simples
situações.
O comportamento canino, não custa enfatizar, está vinculado
ao de seu dono. Dono calmo, cão calmo, dono histérico, cão
histérico, dono agressivo, cão agressivo.
Tenho uma amiga, cujas conversas, pessoalmente ou ao telefone, tornam-se
numa hilariante aventura. Muitos gritos, sustos, comandos e exageradas
preocupações com sua cadelinha pré-adolescente: uma
vigorosa e arteira Cocker Americana. Linda e cacheada, com uma carinha
levada, ela se transformou numa potente e ardida “latidora”,
em conseqüência do “sangue italiano” de sua dona.
É simplesmente um escândalo, hilário, mas um escândalo!
“Vítima” de cuidados e zelos extremados, a Cockerzinha
não pode ver a cara da rua, por causa de doença (apesar
de totalmente vacinada!). Cheirar outro cachorro? Nem pensar! Dar uma
voltinha no parque, sentir o cheiro da grama? Não pode!
O convívio que deveria ser harmonioso, fonte de prazer,
torna-se martírio e estresse. Este estresse é mútuo,
não unicamente do dono, afeta o animal. O cãozinho
é um animal, não um robô programado com nossas prioridades
e desejos. É um “lobo”, com instintos e reações,
variando de intensidade de raça a raça.
Nossa família para eles, é sua matilha. É o grupo
de onde ele extrai segurança e sobrevivência. Dentro desta
“matilha”, um dos principais instintos é o hierárquico,
onde ficam definidos os direitos e deveres, os limites e prioridades.
Todo cão tem sua personalidade, e conforme esta, procurará
encaixar-se no meio de seu grupo de convívio.
Nas matilhas, existe o casal alfa, que são o macho e fêmea
dominantes, que ditam as regras, que organizam e protegem o grupo. Fica
claro em alguns casos, que o cão macho, ou mesmo fêmea, quer
tornar-se dentro do grupo de humanos, o alfa, ou a alfa dominante, gerando
disputas temperadas a rosnadas, agressividade e mordidas. Nem precisam
querer ser “alfas”, basta não aceitarem submissão
deste ou daquele integrante. É o caso também, do ciúmes
agressivo, demonstrado a alguns do grupo, por causa deste ou daquele membro.
Tudo por causa da hierarquia, que representa um instinto muito aflorado
nos cães. Entender como funciona a psique de seu cão, ajuda
a conviver com ele. Enxerga-lo como um “lobo”, ajuda muito.
Mas os fazemos sofrer muito.
Praia lotada, fim de semana ensolarado, muitas garotas e garotos, você
e seu cão, desfilando no calçadão, você orgulhoso(a),
seu pet amigo, fazendo sucesso, dando aquele passeio generoso pro bichinho,
e ele DERRETENDO. A temperatura média de um cão,
é de aproximadamente 38,5 graus Celsius, dois graus a mais que
nós humanos, é sua fisiologia. Agora, acredite, manter sua
temperatura estável, debaixo daquele sol de rachar, sem glândulas
sudoríparas, fica muito difícil. Sem contar com a calçada
“fritando ovo”, queimando sua pata. Aí é você
desfilando e o amigo cão se desfazendo!
Horários de temperatura amena e hidratação criteriosa,
farão de seus passeios, uma divertida e prazerosa atividade.
Ainda, durante os passeios, fiquem atentos ao olfato de seus cães,
que é o sentido mais aguçado. Nós, humanos, andamos
por muitos e longos metros, observando, analisando, interagindo com tudo
a nosso redor sem diminuir a marcha, já que nessa ocasião,
primamos pelo sentido da visão. Saibamos que, com nossos “lobinhos”,
acontece o mesmo, mas com seu NARIZ! Para o seu cão, um passeio
prazeroso e harmonioso, inclui paradas aqui e acolá, “sentindo”
o ambiente, explorando, analisando, pois é através do faro
que ele “enxerga” e interage com o mundo. Não há,
entretanto, de se cometer exageros, parando de metro em metro, como mulher
em um shopping, assim, não dá mesmo pra aguentar.
Enfim, passeiem, divirtam-se e interajam com seus “lobos”,
mas acima de tudo RESPEITEM e lembrem-se que, apesar de assimilarem muito
de nosso comportamento, eles possuem as suas particularidades instintivas
e fisiológicas, como qualquer ser vivo. Agindo assim, manteremos
uma relação saudável com nossos amigos.
Edgardo
E. Isensee
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